Em sala de aula

IDEAL DOM QUIXOTE

Em tempos de crise é natural muitas pessoas desistirem de seus projetos pessoais e abandonarem seus ideais. Em nossa luta diária por uma educação melhor nos sentimos como o famoso personagem do livro de Miguel de Cervantes, Dom Quixote; somos “cavaleiros andantes”, pois acreditamos que a visão quixotesca da educação possa chegar a muitos lugares. Vemos o que a maioria não consegue ver, não existem limites em nosso globo ocular e não nos importamos que os “dragões sejam moinhos de vento”…
Muitos conhecem a história bíblica do cego Bartimeu (Mc 10, 46-52). Quando ele se aproximou de Jesus, o Mestre dos mestres perguntou a ele: “O que queres que eu te faça?”. E a resposta, uma das mais lindas orações, foi esta: “Que eu veja novamente”. A resposta de Bartimeu é muito interessante, pois ela pode ser associada ao nosso trabalho, especialmente em tempos de crise. Para que as coisas deem certo em sala de aula e em toda organização escolar, é fundamental que “vejamos novamente” o que nos fez estar ali e o que nos motivou a escolher essa profissão. Não basta ser criativo, é necessário ser inovador. Quando estamos afundados em decepções e nos sentindo vítimas de todo o processo, devemos procurar reeducar nosso olhar, tendo em vista que nossos alunos carregam consigo carências que mal imaginamos. Existem as necessidades que conseguimos ver pela linguagem corporal, falada e escrita,… Entretanto, há outras carências que só podemos perceber se enxergarmos nossos alunos com um olhar sob a perspectiva da eternidade. A grande luta é não ver o que nosso educando é, mas sim o que ele pode se tornar.